Tuesday, 5 May 2009

Sunday, 12 April 2009

Verba volant?

Às vezes parece-me que não. Eu tento deixá-las voar. Mas não consigo...

Wednesday, 28 January 2009

Hoje é o primeiro dia...

A princípio é simples, anda-se sozinho
Passa-se nas ruas bem devagarinho
Está-se bem no silêncio e no borborinho
Bebe-se as certezas num copo de vinho
E vem-nos à memória uma frase batida
Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

Pouco a pouco o passo faz-se vagabundo
Dá-se a volta ao medo, dá-se a volta ao mundo
Diz-se do passado que está moribundo
Bebe-se o alento num copo sem fundo
E vem-nos à memória uma frase batida
Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

E é então que amigos nos oferecem leito
Entra-se cansado e sai-se refeito
Luta-se por tudo o que se leva a peito
Bebe-se, come-se e alguém nos diz: bom proveito
E vem-nos à memória uma frase batida
Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

Depois vêm cansaços e o corpo fraqueja
Olha-se para dentro e já pouco sobeja
Pede-se o descanso, por curto que seja
Apagam-se dúvidas num mar de cerveja
E vem-nos à memória uma frase batida
Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

Enfim duma escolha faz-se um desafio
Enfrenta-se a vida de fio a pavio
Navega-se sem mar, sem vela ou navio
Bebe-se a coragem até dum copo vazio
E vem-nos à memória uma frase batida
Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

E entretanto o tempo fez cinza da brasa
E outra maré cheia virá da maré vazia
Nasce um novo dia e no braço outra asa
Brinda-se aos amores com o vinho da casa
E vem-nos à memória uma frase batida
Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida.



Sérgio Godinho

já só faltam 5 dias... :)

Wednesday, 22 October 2008

Saudades...

Viena, 22 de Outubro de 2008


Hoje apercebi-me da falta que me fazes... Cada vez que vejo uma criança acompanhada pela sua mãe, vêm-me as lágrimas aos olhos. E ouvir a tua voz ao telefone é como ouvir a voz de um anjo. Porque, afinal de contas, apesar da distância, não deixas de ser o meu anjo da guarda...
O negrume das palavras não ditas é o pior. O curto tempo de que disposmos ao telemóvel não passa de uma alegria de 3 minutos. 3 minutos. O que é isso comparado a dois meses atrás, quando te podia dizer tudo o que me ia na alma e não disse dez por cento daquilo que sentia e ainda sinto. E nem sequer fui ainda capaz de te enviar o postal... sim, escrevi um postal para vocês... é bonito, conseguem ver um dos palácios vienenses. Espero que gostem dele.
Porquê hoje, por que escrevo estas palavras precisamente hoje? Porque... já combinámos que nos íamos ver tantas vezes e... ainda não nos vimos. É preciso azar...
Ouvi a fatal melancolia na tua voz. Estiveste a chorar, sei-o tão bem como quem sabe que um mais um são dois. Não queria magoar-te... Não suporto essa voz triste, é abominável escutá-la. Desculpa, desculpa, desculpa, mas preciso destes meses aqui... Quero estar aqui. Mas isso não significa que não queira estar aí. Não quer dizer que não te adoro.
No fundo, ainda sou uma criança. E uma extremamente dependente, no tocante a sentimentos. Consigo passar horas sem tocar em comida, mas céus! Sem sentimentos, sem o teu amor, o teu amor de mãe, não duraria mais do que meros minutos. O desgosto diário por que tenho de passar por não te poder ver... não fazes ideia. Não és a única a sofrer nesta espécie de simbiose invertida.
A minha dor é de dimensões absurdas. Qualquer um à minha volta consegue senti-la. Qualquer criatura pode tocar-lhe, vê-la, ouvi-la, respirá-la e... sentir-lhe o gosto, um gosto um tanto macabro.
Mãe! Quero dedicar-te um poema. É do meu poeta preferido, tu sabes quem é.

« No plaino abandonado
Que a morna brisa aquece,
De balas trespassado-
Duas, de lado a lado-,
Jaz morto, e arrefece.

Raia-lhe a farda o sangue.
De braços estendidos,
Alvo, louro, exangue,
Fita com olhar langue
E cego os céus perdidos.

Tão jovem! Que jovem era!
(agora que idade tem?)
Filho único, a mãe lhe dera
Um nome e o mantivera:
«O menino de sua mãe.»

Caiu-lhe da algibeira
A cigarreira breve.
Dera-lhe a mãe. Está inteira
E boa a cigarreira.
Ele é que já não serve.

De outra algibeira, alada
Ponta a roçar o solo,
A brancura embainhada
De um lenço… deu-lho a criada
Velha que o trouxe ao colo.

Lá longe, em casa, há a prece:
“Que volte cedo, e bem!”
(Malhas que o Império tece!)
Jaz morto e apodrece
O menino da sua mãe »


a tua melguinha...

Wednesday, 17 September 2008

Es war einmal...

Es war einmal ein Prinz...

Dieser Prinz war ganz bedeutungslos - er war doch nur ein einsamer Prinz.

Jedoch ist das Leben manchmal sehr unvorhersehbar. Eines Tages, als er mit seinem Pferdchen, Gervásio, ritt, um eine neue Sprache und ein neues Land besser kennenzulernen, sah er eine Prinzessin dieses Landes. "Wie schön ist sie!" - dachte der kleine Prinz. Sie fielt ihm plötzlich auf, und würde später sein normales und langweiliges Leben beeinflussen - aber das ahnte er noch nicht. Jedes Tag, wenn er sie wieder sah, seufzte er. Immer wenn sie nicht da war, seufzte er auch. Er verliebte sich in der schönen Prinzessin, wusste aber nicht, wie er sie ansprechen könnte - "ich traue mich nicht..." - sagte er ganz leise.
Aber einige Tage später riskierte er es - alles würde sich verändern: er fragte sie, ob sie diesselbe Bücher wie er las. Und die Antwort war ein schüchternes "ja". Aber so schön war ihre Stimme, so melodisch, dass er dachte, er hörte eine dieser exotischen Vögel, die man selten im Wald sieht. Von diesem Tag an, hat das sich Leben des kleinen Prinzes völlig verändert.

Das Ende

:)

Monday, 15 September 2008

Poema Sem Nome


Dobram os sinos duas vezes
A dor que dói em mim.
Dão-se dramas dados
A quem os quer digerir.

São dadas dores dramatizadas
A dados de jogar há muito gastos
Pelo uso destas mãos doridas.
De que jogo? Já não sei...

A tinta das pintas já fintam
O fim nos seus vacilantes contornos.
Está na hora de terminar este jogo
Há muito terminado, mas nunca iniciado.

Sigo com afinco a luz ténue
Que entra pela janela.
Tenta evadir-se da realidade, lá fora.
(O dia revela o que a noite eufemizou).

Em breve, o manto negro cairá novamente
Sobre a vista que tenho sobre a rua
Que desce a correr com pressa a estrada
Do nada que nunca passou disso. De um nada.

Pequenos nadas que, por vezes,
São tudo o que mais à vida interessa.
À vida de quem? Não sei. Mas não à de ninguém.
Vivo a vida veementemente como quem está para partir.

Respiro a pleno o ar
Que me entra a pleno
Pelos pulmões, passeando
Pelo parque, partindo...

De onde? Para onde?
Perguntas cuja resposta
Me é vedada. Por quem?
Talvez por mim mesmo.

Por vezes, só, junto à lareira,
Interrogo-me onde deixei ficar
A alma que nunca habitou
O corpo que nunca tive.

Aquece o espírito, o fogo,
No pino do inverno.
As chamas crepitantes estalam
Amarelo, laranja e vermelho.

Dor? Minha? Dos outros?
Não, não a sinto.
Esqueci-me do que é sentir.
Do que é que me esqueci?

Verba volant, scripta manent,
Mas as minhas palavras não.
O registo dos meus devaneios
Aspirantes a poesia não permanecem.

Não hoje.
Nem amanhã.
Talvez noutro dia.
Que não um destes 365.


15 de Setembro de 2008

Sunday, 7 September 2008

Agosto/Setembro de 2008

Há momentos que marcam a nossa vida, sejam eles curtos, minutos, ou mais longos, semanas. Gostaria de ter palavras mais bonitas para a ocasião, mas infelizmente não as tenho.

Quero que saibas o quão importante és para mim, K. Três semanas podem ser pouco ou muito tempo, depende da perspectiva. Mas não interessa. O que interessa é que foram três semanas bem passadas, em que as nossas mãos se encaixaram mais uma vez, em que os nossos dedos se entrelaçaram novamente. Não quero parecer lamechas, não quero que penses que digo isto apenas por dizer. Mas adorei estar contigo, e a cada novo dia apaixono-me mais por ti. É muito bom ter-te por perto. Adoro estar contigo, nos bons e nos maus momentos.

Espero que me perdoes por não ter mais palavras. Em breve, muito em breve, estaremos juntos outra vez, e mesmo aí, vou ter as mesmas palavras batidas. Lamento por isso. Mas quanto mais as palavras me faltam, maiores e mais fortes se tornam os meus sentimentos por ti, minha querida.

amo-Te, K.
.أني أحبّك، كرستن

ich liebe Dich, K.