
Dobram os sinos duas vezes
A dor que dói em mim.
Dão-se dramas dados
A quem os quer digerir.
A dor que dói em mim.
Dão-se dramas dados
A quem os quer digerir.
São dadas dores dramatizadas
A dados de jogar há muito gastos
Pelo uso destas mãos doridas.
De que jogo? Já não sei...
A dados de jogar há muito gastos
Pelo uso destas mãos doridas.
De que jogo? Já não sei...
A tinta das pintas já fintam
O fim nos seus vacilantes contornos.
Está na hora de terminar este jogo
Há muito terminado, mas nunca iniciado.
O fim nos seus vacilantes contornos.
Está na hora de terminar este jogo
Há muito terminado, mas nunca iniciado.
Sigo com afinco a luz ténue
Que entra pela janela.
Tenta evadir-se da realidade, lá fora.
(O dia revela o que a noite eufemizou).
Que entra pela janela.
Tenta evadir-se da realidade, lá fora.
(O dia revela o que a noite eufemizou).
Em breve, o manto negro cairá novamente
Sobre a vista que tenho sobre a rua
Que desce a correr com pressa a estrada
Do nada que nunca passou disso. De um nada.
Sobre a vista que tenho sobre a rua
Que desce a correr com pressa a estrada
Do nada que nunca passou disso. De um nada.
Pequenos nadas que, por vezes,
São tudo o que mais à vida interessa.
À vida de quem? Não sei. Mas não à de ninguém.
Vivo a vida veementemente como quem está para partir.
São tudo o que mais à vida interessa.
À vida de quem? Não sei. Mas não à de ninguém.
Vivo a vida veementemente como quem está para partir.
Respiro a pleno o ar
Que me entra a pleno
Pelos pulmões, passeando
Pelo parque, partindo...
Que me entra a pleno
Pelos pulmões, passeando
Pelo parque, partindo...
De onde? Para onde?
Perguntas cuja resposta
Me é vedada. Por quem?
Talvez por mim mesmo.
Perguntas cuja resposta
Me é vedada. Por quem?
Talvez por mim mesmo.
Por vezes, só, junto à lareira,
Interrogo-me onde deixei ficar
A alma que nunca habitou
O corpo que nunca tive.
Interrogo-me onde deixei ficar
A alma que nunca habitou
O corpo que nunca tive.
Aquece o espírito, o fogo,
No pino do inverno.
As chamas crepitantes estalam
Amarelo, laranja e vermelho.
No pino do inverno.
As chamas crepitantes estalam
Amarelo, laranja e vermelho.
Dor? Minha? Dos outros?
Não, não a sinto.
Esqueci-me do que é sentir.
Do que é que me esqueci?
Não, não a sinto.
Esqueci-me do que é sentir.
Do que é que me esqueci?
Verba volant, scripta manent,
Mas as minhas palavras não.
O registo dos meus devaneios
Aspirantes a poesia não permanecem.
Mas as minhas palavras não.
O registo dos meus devaneios
Aspirantes a poesia não permanecem.
Não hoje.
Nem amanhã.
Talvez noutro dia.
Que não um destes 365.
15 de Setembro de 2008
Nem amanhã.
Talvez noutro dia.
Que não um destes 365.
15 de Setembro de 2008
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